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Restauro do Complexo Fepasa, em Jundiaí: como contribuir, através da destinação do Imposto de Renda?


Antonio e seu antigo crachá: quase três décadas dedicadas à ferrovia.

Natural de Ipaussu, no interior paulista, Antonio Rebello hoje se considera muito mais um jundiaiense. Com 79 anos, o engenheiro mecânico aposentado chegou na cidade de Jundiaí há mais de 50 para trabalhar no Complexo Fepasa. Durante sua carreira, dedicou-se à manutenção de locomotivas à diesel e pôde acompanhar as transformações do Município e da ferrovia. “No Complexo Fepasa o que se via era a devoção dos funcionários. Muitos, como eu, tinham como objetivo de vida trabalhar na Companhia Paulista”.

Além de garantir a criação e sustento de seus cinco filhos, o trabalho na ferrovia levou senhor Antonio a um estágio em Hennigsdorf, próxima a Berlim, na antiga Alemanha Oriental. “Na década de 1960, fiz um estágio de cinco meses na fábrica da LEW, de quem a Fepasa comprou locomotivas. Para passear em Berlim, tínhamos de pegar um trem subterrâneo, que atravessava o território ocidental da capital e desembarcava do lado oriental. Para cruzar a fronteira dentro de Berlim, na primeira vez fiz uma entrevista que durou uma hora. Nas vezes seguintes foi tão rápido que me recordo do dia em que me esqueci de levar o passaporte e os guardas me reconheceram e me deixaram atravessar”, brinca o aposentado.

A fim de resgatar memórias como as do senhor Antônio e de tantas outras ligadas à ferrovia e à cidade, a Unidade de Gestão de Cultura (UGC) lançou a campanha Complexo Fepasa nos trilhos da preservação. Por meio da destinação do Imposto de Renda, todo cidadão pode em sua declaração garantir de 3% a 6% do valor total devido para a revitalização do Complexo, que é o único patrimônio histórico do Município com tombamento em nível nacional, registrado pelo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O gestor da UGC, Marcelo Peroni, ressalta que a campanha não se trata de um acréscimo de tributação. “Não se trata de um imposto a mais para o cidadão, mas da destinação de uma cota do que ele já deve ao fisco. Aderindo à causa, o contribuinte não só garante que o seu dinheiro fique no Município, como também pode acompanhar todas as melhorias realizadas a partir desse investimento”.

A campanha é aprovada pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) e visa à requalificação, restauro e conservação da ala histórica e central do Complexo. E os dados bancários são: Banco do Brasil – Agência: 0340-9/ Conta de Captação: 72.408-4. Para poder contribuir, é importante que a declaração seja feita no modelo completo e o interessado indique a sua intenção ao seu contador ou contadora.

Até antes da pandemia, o senhor Antonio visitava com frequência o Complexo. “Conservar as boas coisas do passado, como a memória da ferrovia, afasta algumas vergonhas que o Brasil carrega, como a pobreza do povo e a Ditadura Militar. Mas a índole do brasileiro venceu”, comemora o aposentado como votos para o sucesso da revitalização do Complexo.

Todos os detalhes técnicos da campanha e uma galeria de fotos sobre as melhorias já realizadas podem ser consultados no site da Cultura.

Mais melhorias
Além da lei de incentivo, Peroni destaca outras melhorias em curso. “Em fase de licitação, estão previstos cerca de R$ 880 mil oriundos do Fundo de Defesa dos Interesses Difusos (FID), da Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania, para a reforma dos telhados, além de outros R$ 500 mil, provenientes de um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), em fase final de análise, para o calçamento e integração do Complexo com o Centro. Sem contar outros R$ 150 mil de recursos próprios investidos nos últimos meses para a reposição de telhas e requalificação do estacionamento, que será transferido para área coberta e contará com mais vagas.

Construído a partir da década de 1890 pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro e incorporado à Ferrovia Paulista S/A na década de 1970, o Complexo Fepasa foi adquirido pela Prefeitura de Jundiaí no ano 2001 após a falência da empresa e a privatização da malha ferroviária.

Com a transferência da Unidade de Gestão de Cultura (UGC) para o local em 2017, inúmeras foram as melhorias já realizadas, como manutenções em geral, eliminação de focos de dengue e roedores, instalação de iluminação e câmeras de monitoramento, fechamento de ingressos, reposição de telhas e vidros, além da triagem e retirada de toneladas de lixo acumulado e inservível. Também foram revitalizadas salas para uso de artistas e demais trabalhadores de Cultura e foi criada a Sala Jundiaí para a realização de pequenos espetáculos e exposições.
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