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Uma História da Romaria de Itupeva II




Foto: Site Oficial Prefeitura de Itupeva

Lendo as atas das reuniões da Diretoria da Romaria de Itupeva, é possível fechar os olhos e imaginar voltar no tempo, para quando nem éramos ainda nascidos, digamos em fevereiro de 1956.

Imaginar a emoção disseminando o povo do pequeno bairro se preparando para a Primeira Romaria de Cavaleiros até o Santuário do Bom Jesus em Pirapora. Certamente a grandeza daquele momento aumentou a união dos amigos e conhecidos.

A primeira diretoria havia sido criada em novembro de 1955 numa forte demonstração de cidadania. Todos enxergaram uma certa ousadia naquelas pessoas que, sem saber, germinaram ali a semente da emancipação político-administrativa de Itupeva.

Gentes das famílias do lugar haviam sido convidadas a compor a diretoria, sitiantes, funcionários, comerciantes, agricultores... A responsabilidade era imensa diante dos riscos enormes. Risco de acidente, de um cavalo adoecer. Risco de desinteligência!

Com certeza muitos duvidavam da capacidade daquela turma organizar uma Romaria. Mas essas suspeitas só aumentavam a confiança de cada um no esforço para que tudo desse certo.

 O presidente Benedito Barbosa era administrador na Fazenda Barreiro, o vice Dorival era um representante comercial, Eliseu e Vicente eram comerciantes como Ismail, Antenor, todos gente simples, mas experimentados nas romarias de Jundiaí.

Fim de tarde era tumultuado no Bar do Armando, no Mercado do Elizeu e na venda do Santo, entre goles de cachaça e baforadas no palheiro, com ideias para as questões que surgiam.

Todos concordavam em marcar o dia da romaria para depois da safra da uva e quando o calor desse uma trégua. Final de março.

Todos aceitaram que a romaria seria exclusiva para os homens e que desobedecer os diretores significaria pena de exclusão.

Todos já sabiam que ciclistas e motociclistas iriam acompanhar pela rodovia asfaltada até a Fazenda Pinhal e que os cavaleiros seguiriam pela estrada de terra. A questão era: qual estrada?

Determinar o itinerário para os cavaleiros e charreteiros foi mais difícil. As estradas ruins, a dura topografia da Serra do Japi, a Laranja Azeda e o Tira Saia sempre dificultava para os romeiros.

Outra discussão foi acertar lugar para a parada do almoço onde houvesse espaço com segurança, boa sombra e água abundante para oferecer aos animais e o necessário verde para pasto.

Prevaleceu para os cavaleiros e charreteiros o seguinte itinerário: Itupeva, Fazenda Morro Alto, Fazenda Barreiro, Fazenda São Simão, Fazenda Santo Antônio, Fazenda Pinhal, Cabreúva, Parada do almoço no Sobradinho, Estrada dos Romeiros e Pirapora.  

Foi consenso providenciar a bandeira da romaria para o ponteiro, bandeiras para os culatreiros, fazer distintivos, contratar ferreiro e fazer faixas para o caminhão de apoio.

Dorival e Paschoal falaram com o padre Miguel Schledorn para presidir Primeira Missa da Romaria e combinaram o horário da benção com o pároco do Santuário do Bom Jesus, em Pirapora.

O Giácomo Gilli ficou encarregado de providenciar fogos. Os rojões davam solenidade para anunciar o dia da romaria, para avisar a saída dos cavaleiros e a hora da chegada da romaria.

Além de muita fé, era importante treinar os cavalos para vencer a distância de mais de cem quilômetros de ida e volta da romaria. Para tanto os romeiros inventavam passeios a cavalo. Mas isso eu comento num próximo dia. Aguardem!




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