SAÚDE MENTAL

Suicídio: isso mata!

Setembro Amarelo chegou! É o emblemático mês de prevenção do suicídio no Brasil. E, mais uma vez, voltamos a abordar esse tema, em prol da vida. Infelizmente, o último relatório (2019) divulgado pela OMS, continua a balizar o suicídio como uma das principais causas de morte no mundo. Na contramão do resto dos continentes, aqui nas Américas as taxas de suicídio subiram, sendo ainda provável haver agravamento generalizado dos números quando apurados e atualizados novos dados pós-pandemia.
 
Neste ano, nos Estados Unidos, houve aumento de 50% em tentativas de suicídio entre jovens de 12 a 17 anos, sobretudo de meninas (CDC - Centros de Controle e Prevenção de Doenças), tendo o isolamento social como principal protagonista na escalada desse cenário.  Mais perto de nós, uma a cada 4 crianças e adolescentes manifestou ansiedade e depressão, em nível de tratamento clínico, de acordo com estudo recém divulgado pela Faculdade de Medicina da USP. No Brasil o suicídio está entre as cinco primeiras causas de morte em todas regiões do país, sendo mais prevalente no sexo masculino, entre jovens adultos, na faixa etária de 20 a 39 anos. 

A situação de vulnerabilidade socioeconômica cada vez mais agravada pelo desemprego, desigualdade social, condições inóspitas de moradia, violência doméstica, pobreza, entre fatores similares de degradação da condição humana são critérios decisivos no aumento dos casos.

Apesar de a identificação dos sinais de suicídio não ser facilmente perceptível e tampouco haver roteiro determinante em saúde mental, podemos citar alguns elementos de alerta que podem ser indícios de ideação suicida, que são pensamentos ou planos com propósito de atentar contra a própria vida: manifestações e falas sobre suicídio, por exemplo: “queria morrer, assim acabava com esse sofrimento”, “não aguento mais essa vida” etc; mudança repentina dos hábitos concomitante à sintomas de desesperança e isolamento, isto é, a pessoa perde interesse em atividades que antes lhe davam ânimo, prazer e passa não querer conviver mais socialmente, fica desmotivada e busca a solidão e reclusão; uso excessivo de álcool, medicamentos e outras drogas ilícitas; pessimismo acentuado e preocupação excessiva com fatos e eventos negativos do mundo; mudanças e oscilações abruptas de humor e comportamento; falas de despedidas e tentativa de resolução de assuntos pendentes, abandono de planos futuros e automutilação. Por fim, não menos incomum é surgir a manifestação de uma alegria e melhora súbita, a qual na verdade pode indicar um prenúncio da decisão do ato, “como se fosse a ilusão de um alívio”.   

Entretanto, existem iniciativas importantes na prevenção do suicídio. Destacamos um guia chamado LIVE LIFE, disponível no site da OMS. Basicamente, há quatro estratégias apresentadas como sugestão nessa luta:
- Restrição ao acesso dos métodos de suicídio, como por exemplo pesticidas e armas de fogo.
- Educar a mídia sobre a cobertura responsável do suicídio
- Promoção de habilidades socioemocionais para a vida em adolescentes
- Empenho na identificação precoce, avaliação, gestão e acompanhamento de pessoas com ideação e comportamento suicida.

Tão triste quanto o suicídio é observar que atualmente não há investimento do governo em nenhum dos itens acima. Vivemos em um país que durante a pandemia fez questão de explicitar descaso com a vida humana, sempre atuando no rumo contrário às propostas de luta pela vida, cuja plataforma política servindo à ambição do agronegócio devastador, libera o aumento de uso de agrotóxicos e cultua o fetiche das armas, favorecendo também o sucateamento educacional. 

A falta de empatia e nulidade socioemocional generalizada, sem demonstração de qualquer sinal ou empenho em melhorar a saúde física e mental dos cidadãos precisa urgentemente ser combatida pela população, por meio da ação solidária, pela gentileza, pela escuta e amor.
Podemos ser esse alguém que faz toda diferença ao acompanhar um outro que deseja acabar com seu sofrimento. Não podemos perder a esperança, temos de seguir fazendo dias melhores acontecer, conversando, estando um ao lado do outro e fortalecendo esse elo forte que existe entre nós!


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